Formula Cultural

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  • AMBIENTALISTA REYNER DE SOUZA OMENA JUNIOR - MANAUS/AM

    Reynier de Souza Omena Junior, mais conhecido como Omena, nasceu em Manaus/AM em 1962. Sempre teve um interesse especial pelas aves, assistia as séries de TV, Os Bichos, e ficava admirando o trabalho dos pesquisadores. Na época era sua forma de aprender. “Ainda criança, com 9 a 12 anos de idade, eu entrava nas matas periféricas do bairro onde morava (Parque Dez) em Manaus e ia à procura de ninhos, acompanhava até o nascimento dos filhotes. Às vezes tentava cria-los em casa, fazia gaiola para o bichinho, mas às vezes ele fugia”.

     

    Depois de adulto, com cerca de 26 anos, conheceu pesquisadores do INPA – Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e foi a campo com eles. Por conta própria, comprou livros especializados e passou a observar e pesquisar. Sítios de parentes e áreas verdes perto de Manaus foram os locais de partida. “Procurei ler bastante literatura sobre o assunto, participei voluntariamente de projetos de inventários, somente para aprender como se faz e ai fui adquirindo experiência e tomando gosto cada vez mais por essa área e hoje, me considero um dos mais conhecidos ornitólogos brasileiros”.

     

    Por isso, hoje é biólogo especialista em aves silvestres – Ornitologia – e também em Gestão Ambiental, além de grande pesquisador. Atualmente trabalha na Sub-coordenadoria de Projetos Ambientais do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus, conhecido como PROSAMIM. “Em meu trabalho, eu acompanho o avanço das obras e faço o acompanhamento e monitoramento dos impactos delas sobre a vizinhança e sobre animais silvestres, quando as obras fazem intervenção direta nos Igarapés”. Em 2006 foi um ano importante para a coordenadoria, eles fizeram a captura e remoção de cerca de 23 jacarés dos Igarapés e os levaram para áreas mais preservadas no entorno de Manaus.

     

    “Fora essa atividade que toma boa parte do meu tempo, sou consultor em Ornitologia da Fundação Rio Solimues - UNISOL/UFAM - faço levantamentos biológicos de aves, identificando possíveis impactos sobre a fauna ornitológica e a proposição de medidas mitigadoras.” Recentemente, foi convidado para trabalhar no EIA/RIMA, na Ponte que vai ligar Manaus ao Município de Iranduba, cerca de 8 km sobre o Rio Negro, uma obra do governo do Estado. Omena ainda organiza excursões para observadores e curiosos que querem conhecer as aves da região. No site www.birding.com.br  ele anuncia excursões no site que são guiadas por guias bilíngües treinados por ele.

     

    Além disso, o gestor e biólogo desenvolve estudos sobre a fauna ornitológica, escreve artigos científicos e até já publicou um livro e dois CDs de áudio com vozes de aves da Amazônia. “Fiz várias reportagens sobre aves para a televisão e participei de inúmeras entrevistas falando de aves e ou de conservação de aves na Amazônia”.

     

    Existem ainda muitas dificuldades na área de pesquisa hoje no Brasil. Os “recursos financeiros” são os mais difíceis e somente quem está ligado a uma instituição de pesquisa consegue desenvolver bem este lado. “Pesquisa só se faz com recurso. Do contrário, você não faz ou faz com recursos próprios, o que nem sempre é possível porque fazer pesquisa demanda gasto.”. Omena já prestou grandes contribuições para a ciência com suas pesquisas, uma delas são as informações contidas no livro Aves da Amazônia em português, que está esgotado.

    A grande recompensa de se trabalhar com pesquisas na área, segundo Omena é ser lembrado e elogiado por grandes pesquisadores. “Já fui citado e elogiado por pesquisadores de renome, que eu nunca conheci pessoalmente, mas que algum momento leram ou tiveram acesso a algum trabalho meu. Essas são algumas das recompensas que nos ajudam a continuar a jornada”.

     

    Um dos trabalhos inesquecíveis para o pesquisador foi o estudo do galo-da-serra, onde ele conseguiu dados inéditos sobre a espécie. Este trabalho ainda não foi publicado, mas Omena conseguiu dados interessantes com a pesquisa. “Identifiquei as áreas vulneráveis onde eles são capturados, apresentei sugestões e propostas para coibir o tráfico, além de melhorar a gestão dessas áreas”, através disso ele conseguiu apresentar proposta de novos estudos, encaminhando informações relevantes às autoridades ambientais. Apesar disso, nada de concreto foi feito até hoje com o intuito de conter ou inibir o tráfico. “Em geral, o mais importante é estar com a consciência do dever cumprido, com o sentimento de que se fez o que podia ser feito, quando muitos outros poderiam fazer e não fizeram”.

     

    E este é o OMENA colaborador da FFC. Uma pessoa de visão ambiental aguçada, preocupado com o meio ambiente e com a gestão dos recursos naturais. Por isso que ainda acreditamos que nosso BRASIL vai para frente.

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